Notícias Recentes

Copyright © 2025
Trupe.cc All Right Reserved.

Trabalhar menos é uma tecnologia social?

Compartilhe

Tópicos

Você já reparou como a pergunta “e aí, tá corrido?” virou uma espécie de cumprimento?
Estar sobrecarregado virou quase status. Uma forma de dizer que estamos sendo úteis, importantes, produtivos. Mas… e se a gente não quiser mais correr?

E se trabalhar menos for, na verdade, uma estratégia coletiva de sobrevivência?
Mais do que um privilégio ou uma utopia uma forma de reorganizar o tempo, a saúde e as relações?

Vamos com calma: trabalhar menos pode, sim, ser uma tecnologia social.
E não, não é sobre fazer o mínimo. É sobre fazer caber a vida no centro da equação.

O mito da produtividade infinita

A ideia de que podemos (e devemos) render o tempo todo é recente. Nasceu com o relógio de ponto, cresceu com os e-mails e atingiu o auge com as notificações.

Só que os nossos corpos, nossas ideias e nossas relações não funcionam assim.

Produtividade infinita é um mito.
E insistir nela tem gerado consequências reais: ansiedade, burnout, desengajamento, cansaço crônico.

Menos horas, mais sentido?

Diversos experimentos de jornada reduzida (como a semana de 4 dias) têm mostrado que trabalhar menos horas não reduz a produtividade. Em muitos casos, ela até melhora.
Por quê?

Porque o que sobrecarrega não é só a quantidade de horas, mas a qualidade do tempo.
Trabalhar com foco, clareza e pausas pode render mais do que uma jornada arrastada de 10 horas em modo zumbi.

Quem pode trabalhar menos?

Vamos ser sinceros: trabalhar menos ainda é um privilégio para muita gente.
Nem todo mundo pode simplesmente pedir demissão, reduzir a carga horária ou negar um job.

CONTINUA APÓS O ANÚNCIO

Mas reconhecer esse sistema — e suas falhas — já é um começo.
E dentro do possível, pequenas mudanças individuais também contam:

  • Negociar prazos mais humanos
  • Colocar limites claros no horário de trabalho
  • Dizer “não” a demandas urgentes sem urgência real
  • Planejar tempo ocioso como parte da rotina

Essas escolhas, ainda que pequenas, são gestos políticos.

O descanso como projeto coletivo

Quando a gente fala em “trabalhar menos”, não estamos falando só de autocuidado.
Estamos falando de tempo para criar vínculos.
De espaço para cuidar de outras pessoas.
De não precisar escolher entre o trabalho e a vida.

Se esse tema te pega, vale ler também: O tempo que não rende, mas sustenta

A cultura do descanso não é escapismo. É uma nova lógica — mais cooperativa, mais gentil, mais justa.

Trabalhar menos não é sobre fazer pouco.
É sobre fazer com mais presença.
Com mais intenção.
E com espaço para respirar entre uma entrega e outra.

Talvez não seja só uma escolha individual.
Talvez seja uma tecnologia social.
Uma que a gente está ensaiando, aos poucos.

PUBLICIDADE

offlinese

Leia Também

Últimos

Siga a Trupe na estrada

PUBLICIDADE

Leia também