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A estética do cansaço: por que a exaustão se tornou uma linguagem

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Você já percebeu como a exaustão virou uma espécie de idioma comum? Como estar sempre cansado parece, ao mesmo tempo, um estado inevitável e um traço de identidade? O cansaço deixou de ser só um sintoma e passou a fazer parte de como a gente se apresenta para o mundo.

Estamos falando de algo que vai além do burnout clínico. É sobre uma linguagem que se espalhou por todos os lados. Nos stories, nos memes, nas roupas oversized, nos olhos marcados por olheiras. Estar cansado virou símbolo de pertencimento em uma era em que descansar parece um luxo ou pior, um sinal de fracasso.

Quando o cansaço vira estética

Essa estética do cansaço aparece em diferentes camadas da cultura. Está nas redes sociais, onde posts irônicos sobre “trabalhar até não aguentar mais” ganham curtidas. Está na moda, que abraçou o desleixo como atitude. E está no vocabulário, quando a gente começa a usar palavras como “exausto”, “esgotado”, “colapsado” para descrever o dia a dia quase sempre com uma pitada de humor e resignação.

Essa linguagem tem raízes profundas. Para uma geração que cresceu entre promessas de sucesso e crises econômicas, trabalhar demais se tornou sinônimo de responsabilidade. O corpo cansado virou evidência de esforço, e o esgotamento, uma espécie de medalha. Mas o que parece uma forma de reconhecimento também pode esconder um problema maior: a normalização da exaustão.

A exaustão como identidade

Existe algo de sedutor nessa estética. Ela cria um ponto de conexão entre pessoas que se sentem sobrecarregadas. É como se disséssemos uns aos outros: “você não está sozinho nesse cansaço”. Mas quando o esgotamento vira um traço da nossa identidade, corremos o risco de não saber mais quem somos sem ele.

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Nos discursos sobre produtividade, o descanso ainda aparece como algo a ser merecido. Como se viver exausto fosse o estado natural. Como se só pudéssemos parar quando estivermos à beira do colapso. E isso impacta diretamente a saúde mental, física e emocional.

E se o cansaço não for só cansaço?

Talvez o que chamamos de cansaço seja, muitas vezes, frustração, desalento, falta de sentido. Talvez o que a gente precise não seja só de sono, mas de outras formas de presença. De tempo para criar, para estar com quem importa, para fazer as pazes com o silêncio.

Falar sobre a estética do cansaço não é só uma crítica à cultura do excesso, mas um convite a reparar nos sinais. A perceber quando o meme divertido esconde um pedido de ajuda. A entender que descansar não é desistir. É resistir a uma lógica que só valoriza quem está sempre correndo.

Mais do que linguagem, um alerta

A estética do cansaço é um reflexo do nosso tempo, mas não precisa ser o nosso destino. Podemos continuar falando sobre isso com humor, com afeto, com lucidez. Mas também podemos, aos poucos, escolher outra estética: a do cuidado, da pausa, da escuta. Porque no fim, não se trata só de estar cansado. Se trata de aprender, finalmente, a descansar.

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