Vivemos tempos em que o “modo avião” virou mais do que uma função do celular — virou quase um estado de espírito desejado. Em meio a notificações, chamadas de vídeo e timelines infinitas, surge uma pergunta que atravessa a vida remota e a rotina em movimento: onde mora a vida real?
Essa pergunta é especialmente relevante para quem trabalha remotamente, viaja com frequência e vive em constante transição entre o mundo físico e o digital. A resposta, claro, não é binária. A vida real pode estar tanto na tela quanto fora dela. O problema não é estar online, mas estar só online.
Assim como o problema não é desconectar, mas usar isso como fuga. No fundo, o que a gente busca é presença. E essa presença precisa caber na vida conectada, na rotina de trabalho remoto, nas viagens e também nas pausas.
A fronteira entre conexão e presença
Estar online é essencial para quem vive de forma remota. É onde acontecem as reuniões, os freelas, os projetos, os contatos e os pagamentos. Mas se tudo o que a gente vive passa pelo digital, corremos o risco de transformar a vida em uma performance constante.
Por outro lado, estar offline não é sumir. É reconectar-se com o entorno. Pode ser caminhar sem destino, fotografar sem postar, tomar um café olhando pela janela. Pequenos gestos que nos devolvem o corpo, o olhar, o agora.
Para quem trabalha viajando ou em trânsito, esse equilíbrio é ainda mais delicado. Cada lugar novo pode ser oportunidade de presença ou distração. Trabalhar de um café em Bogotá ou de um coworking em Lisboa exige escolhas: vou estar aqui de verdade ou só conectado com quem está em outro lugar?
A vida real mora no entre
A vida real talvez não more nem no online nem no offline. Talvez ela more no entre. No momento em que a gente silencia uma notificação para ouvir uma ideia. No gesto de abrir o computador com intenção — e fechá-lo com leveza. No tempo em que estamos sozinhos, mas não solitários.
Para quem vive uma vida digital e portátil, esse meio do caminho é precioso. A vida real é o que acontece quando a gente presta atenção. E isso vale para qualquer lugar — com ou sem Wi-Fi.

