Sempre que faço uma pesquisa de passagem área, acho engraçado quando a plataforma sugere “Somente ida/volta”. Mesmo que estejamos no final de uma viagem ou retornando para nosso destino inicial, não seria suficiente o “somente ida”? Afinal, se estamos partindo de um lugar, estamos indo para um novo. E porque voltar, no fundo, é só mais uma forma de seguir.
Foi assim que comecei a pensar diferente sobre os caminhos que escolhi — e sobre o que significa viver em movimento.
Não me refiro apenas ao deslocamento físico. Viver em movimento é muito mais do que trocar de cidade, pegar voos ou trabalhar de diferentes lugares do mundo. É uma postura. Um jeito de se colocar no tempo, no trabalho, na vida. É recusar a rigidez do “sempre foi assim”. É saber que tudo se transforma — e que a gente também pode se transformar junto.
Trabalho remoto e a liberdade de sair do lugar
Durante muito tempo, carreira foi sinônimo de estabilidade. O mesmo cargo, o mesmo escritório, o mesmo plano de longo prazo. A mesma escada a ser escalada.
Mas, para quem vive de forma mais fluida — trabalhando remotamente, criando projetos autorais, prestando serviços de onde estiver — essa lógica não faz mais sentido.
Não é sobre ter um destino fixo. É sobre fazer da jornada o próprio caminho.
Trabalhar de forma remota é, em muitos casos, uma escolha por liberdade. Liberdade de horários, de ambientes, de geografia. Mas também de perspectiva. É entender que um café pode ser escritório, que um intervalo entre cidades pode virar insight, que a conexão com o lugar onde você está interfere diretamente na forma como você produz.
É sair do piloto automático. É viver — e trabalhar — com presença.
Carreira em movimento: uma alternativa ao caminho tradicional
Quando deixamos de olhar a carreira como uma linha reta, começamos a vê-la como um mapa cheio de possibilidades. Com curvas, desvios, bifurcações. Com pausas necessárias e recomeços inesperados.
E cada “ida” é uma escolha. Às vezes pequena, às vezes transformadora. Cada novo projeto é uma parada. Cada aprendizado, uma bagagem a mais.
Não é sobre abrir mão de metas ou sonhos grandes. É sobre reconhecer que eles não precisam ser lineares. Que dá pra crescer em zigue-zague. Que dá pra construir uma trajetória profissional coerente, mesmo fora do convencional.
Afinal, quem vive em movimento aprende a confiar no próprio passo. E a escutar o caminho enquanto caminha.
Uma nova forma de habitar o trabalho
Hoje, vejo minha trajetória como algo vivo. Mutável. Orgânico. Um trabalho que se mistura com a vida, que acontece no intervalo entre uma viagem e outra, entre um insight e outro, entre um “sim” e um “não” bem dito.
Essa é a essência da Trupe: criar em movimento, trabalhar com liberdade, viver com sentido. Estar em trânsito não significa estar perdido — pelo contrário, pode ser um jeito potente de se encontrar.
Mesmo quando volto a lugares conhecidos, não sou mais a mesma.
Cada retorno é uma nova ida.
Cada projeto é uma nova chance de partir.
Cada dia de trabalho é uma oportunidade de criar caminhos que façam sentido pra mim.
Porque no fundo, nunca é sobre voltar.
É sempre sobre ir.

